quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os bastidores da notícia 2

Por Guilherme Vila Real

   Na semana passada contei como os factuais acontecem e como estas notícias chegam até as redações. Hoje vou contar um pouquinho de como fazemos quando não temos acidentes, tempestades, entre outras tragédias para divulgarmos.

   Lembrando que eu sempre uso como referência a TV onde faço estágio. Diariamente, às 13h, é realizada a tão temida reunião de pauta. Eu digo temida, pois é nela que discutimos como foi o andamento dos telejornais transmitido até este horário e também sugerimos pautas/reportagens.

   Depois desta etapa começamos a montar a capa de pauta do dia seguinte. A capa de pauta é o roteiro de todas as reportagens que serão gravadas. Nela são dividas as equipes (repórteres e cinegrafistas), os horários de entrada, intervalo e saída e quais produtores vão produzir as pautas.

   A maioria das pautas produzidas, que serão gravadas no outro dia, são frias, ou seja, podem ser usadas na segunda, na terça, quarta... Um exemplo clássico que aprendi na faculdade é: "Vamos fazer uma matéria sobre como plantar e cuidar de uma orquídea". Neste caso a reportagem pode ser exibida em qualquer dia. Vale deixar bem claro que por ela não ter um dia exato para ser exibida, não significa que a reportagem não tenha importância ou não seja de interesse público.

   As matérias frias, que eu julgo as mais importantes, surgem de duas formas. Uma delas é por meio dos releases que recebemos a todo instante das assessorias de imprensa, e a outra é pela pesquisas em sites oficiais e de notícias, feitas pelos próprios produtores.

   Mas para sugerirmos uma pauta, precisamos antes pesquisar mais sobre o assunto e conferir se "aquilo" existe na nossa cidade ou região e se de uma certa forma vai influenciar na vida dos nossos telespectadores. Temos que fazer isso para conseguirmos "vender" a pauta.

   Não é uma tarefa fácil. Por isso o produtor precisa ter bons argumentos e dados em mãos, para conseguir provar a importância de se fazer aquela reportagem. Com relação aos releases o produtor sempre precisa encontrar um novo gancho para a matéria, ou seja, buscar um caminho diferente daquele descrito no release.

   Definidas então as reportagens que serão produzidas para o dia seguinte, cabe ao produtor encontrar os personagens, que são os entrevistados que vão ilustrar, ou melhor dizendo, que vão provar para o telespectador em casa que aquela situação mostrada na reportagem realmente existe. E é sobre esta batalha dos produtores para encontrar personagens/entrevistados que vou falar na semana que vem.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Os bastidores da notícia

Por Guilherme Vila Real

Muita gente me pergunta como funciona a televisão atrás das câmeras. Esse é o tema que vou compartilhar com as pessoas de casa, os telespectadores, e também os colegas da faculdade que trabalham em outros veículos de comunicação como jornal impresso, assessoria de imprensa, rádio, entre outros. Tudo bem que as formas de se encontrar uma notícia não são tão diferentes.

   Tudo que vou falar aqui é o que eu faço atualmente na TV Tem. Como já disse em outros posts, sou estagiário lá no período da tarde. Mas o trabalho para buscar a notícia começa bem cedinho.O primeiro desafio dos jornalistas é encontrar os factuais que aconteceram durante a noite como acidentes, assaltos, homicídios, entre outros acontecimentos que mereçam destaque. Por isso, todos os dias um produtor da TV vai até o Plantão Policial e lê os Boletins de Ocorrências, um de cada vez. 

   Mas também existe a tão temida RONDA POLICIAL que fica sob a responsabilidade dos estagiários. A Ronda nada mais é que uma lista de telefones da Polícia Militar, Civil, Ambiental, Bombeiros, além dos Distritos Policiais e as Delegacias Especializadas como DIG - Delegacia de Investigações Gerais, DISE - Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes, DDM - Delegacia da Mulher... Aqui em Rio Preto somos responsáveis por ligar para 50 cidades. Fora os municípios que ficam nas regiões de Votuporanga e Araçatuba que os estagiários destas sucursais da TV entram em contato.

   Em meio as conversas com policiais e investigadores as notícias vão surgindo. Há dias que as notícias aparecem aos poucos, mas têm dias que a coisa ferve e acontece tudo de uma vez. Aí que a coisa complica, pois são nestes dias que várias informações chegam até a redação e todas precisam ser checadas corretamente, para que a informação não seja transmitida de forma errada.

   Gente, garanto a vocês, não é fácil não. Todo mundo acredita que estagiário não faz nada, mas a gente trabalha como "gente grande". As responsabilidades são as mesmas de um jornalista formado e contratado da emissora. A diferença mais gritante mesmo é o salário.

   Bom, a Ronda então é o ponta pé inicial da notícia. Mas às vezes acontecem coisas que não conseguimos pegar todas as informações na hora ou então acontecem coisas que nem ficamos sabendo. Por isso a FONTE na vida do jornalista é muito importante. Fonte é aquela pessoa em que o jornalista faz uma "certa amizade" e quando o factual surge, o policial, o investigador, ou qualquer outra pessoa entra em contato primeiro com o jornalista de determinada emissora ou veículo de comunicação e passa as informações de primeira mão. E garanto mais uma vez, não é fácil conseguir Fonte não. Ainda mais na minha situação, que pouca gente me conhece. Mas não é impossível. Por causa das ligações do dia-a-dia da Ronda, já deixei o número do meu celular com várias pessoas e poucas pessoas deixaram o número deles comigo, mas fazer o que, estou só começando.

    Além da Ronda, também contamos com a ligação das pessoas que estão na rua e que ligam para falar o que está acontecendo na cidade. Por incrível que pareça, na maioria das vezes, as notícias surgem primeiro com as ligações dos telespectadores. É impossível a gente estar em todo lugar ao mesmo tempo. Então contamos com essa AJUDA das pessoas, que nos contam "meio por cima" o que está acontecendo e depois ligamos para a polícia para confirmar as informações certinho. Precisamos tomar muito cuidado, pois existem pessoas sinceras e falam o que realmente está acontecendo, mas há pessoas que exageram e as vezes até criam uma notícia.

   E é assim que nós jornalistas vamos sabendo das coisas que acontecem na região e vamos montando os nossos telejornais, para informar os telespectadores em casa. É como um trabalho de formiguinha, uma ajudando o outro, um conversando com o outro, e assim vai...

   Na semana que vem vamos falar a respeito das Matérias Frias, afinal, nem sempre acontecem acidentes, homicídios, tempestades; então precisamos contar com reportagens que ao mesmo tempo preenchem o espaço que temos que cumprir na programação da emissora e também que sejam do interesse das pessoas que estão em casa.