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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aprendendo com o dia-a-dia

Por Guilherme Vila Real

Depois de tanto tempo sem postar, cá estou eu de volta. Que falta de educação a minha né.

Mas então, hoje vou falar um poquinho sobre a aprendizagem de cada dia. O tempo vai passando, vamos enfrentando situações diferentes a cada minuto e com isso acreditamos que já estamos sabendo tudo, ou pelo menos boa parte das coisas mais importantes.

   Se engana quem pensa assim. Eu mesmo me enganei. Na semana passa me deparei com uma situação, de certa forma, comum, que eu não acreditava que eu não tinha pensado naquela situação. Como todos sabem, a correria do dia-a-dia de um jornalista é fora de série. Na quinta-feira retrasada pediram para eu marcar um link para falar sobre a Festa de São Judas.

   Aceitei na boa. Lógico, pensei que ia ser fácil. Na verdade foi fácil. Mas acontece que por causa da correria e também pela falta de experiência ou vontade de se superar a cada dia mesmo, liguei para o assessor da diocese de Rio Preto. Eu simplesmente pedi um entrevistado para o link. Eis que ele me pergunta, e para a ambientação o que você precisa?

   Gente, eu fiquei sem reposta. Porque eu estava apenas me contentando em arrumar uma pessoa para falar sobre a festa. Mas enquanto o entrevistado fala, o que vamos mostrar? E como eu não pensei nisso, fiquei muito sem graça, mas falei para o assessor: O que você sugere? Mas não falei isso normal não, eu estava morrendo de vergonha.

   Mas agora vejo que não precisava sentir vergonha, afinal, sou estagiário e estou ali para aprender. É um erro a gente pensar que já aprendemos e sabemos de tudo. Pelo menos este é um grande erro meu. Mas o importante é a gente ir atrás, superar este erro e se esforçar para acertar numa próxima oportunidade.

   E foi isso que aconteceu comigo hoje. Me passaram mais um link para eu marcar. Olha que privilégio, nem foi ao ar ainda e eu já estou falando sobre uma notícia que vai ao ar apenas amanhã, no Tem Notícias 1ª edição. Não sei se isso é um privilégio ou se é minha língua que não cabe dentro da boca.

   Mas então, voltando ao assunto do link. Pediram para eu entrar em contato com o pessoal do PoupaTempo para falarmos sobre o agendamento de data e horário pela internet para emitir RG, que vai começar a valer em Rio Preto nesta quinta-feira, dia 01.

No começo o que fiz. Liguei para assessoria e pedi apenas um entrevistado. Mas depois quando eu fui digitar a pauta pensei! Como o repórter vai explicar, para as pessoas em casa, como fazer esse agendamento pela internet. Na hora eu peguei, liguei para assessora e falei para ela que eu precisava de um computador para o repórter mostrar a cara do site e aonde as pessoas em casa devem clicar para fazer o agendamento. Na hora a assessora se empolgou também, já foi atrás e literalmente eu, pela primeira vez, produzi um link.

   Mesmo assim não fiquei satisfeito. Por curiosidade acabei entrando no site onde serão realizados os agendamentos e vi que era um pouco diferente do passo-a-passo que estava descrito no release. Peguei então, realizei um cadastro, só para conhecer todas as etapas do cadastro e agendamento e escrevi tudo bonitinho para o repórter.

   Ainda na pauta, destaquei o momento em que é para o repórter mostrar no computador como fazer. Pelo menos mostrar a cara do site. Aliás, tudo isso é uma novidade, e a gente tem que explicar direitinho para o pessoal em casa.

   Mas calma pessoal, uma coisa é fato: este link não será o melhor da TV, muito menos merecedor de algum prêmio. Mas eu fiquei muito orgulhoso, pois fui além de pedir um simples entrevistado para falar sobre o assunto. Não parece grande coisa, mas para eu, que a cada dia aprendo uma coisa nova, foi super importante.

   Então meu povo e minha pova. Vamos parar de achar que a gente sabe de tudo, pois sempre, mas sempre vai ter alguma coisa que a gente não conhece. E quando isso acontecer, não tenham vergonha igual eu não. Vamos dar a cara a tapa e, como sempre falaram na faculdade, vamos aproveitar para errar agora, enquanto podemos.

Imagens
 http://pactoglobalcreapr.files.wordpress.com/2011/08/ideias.jpg
http://veja.abril.com.br/assets/pictures/53280/lapis-borracha-size-620.jpg?1318884147

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Os bastidores da notícia 3

Por Guilherme Vila Real

   Muitas pessoas, ou jornalisticamente falando, telespectadores, me perguntam como nós, produtores, encontramos personagens que se encaixam perfeitamente nas reportagens exibidas na TV. Já adianto, não é uma tarefa fácil.

   Existem várias formas de se encontrar um personagem para determinada matéria. Porém, como uma sugestão de pauta surge, às vezes, de um release enviado por uma assessoria de imprensa, o personagem também surge dessa maneira.

   Mas esta não é a única forma. Quando um produtor recebe uma pauta a primeira coisa que um jornalista dá uma olhada é a agenda telefônica. Caso ele não encontre o que estava procurando, então chega a hora de "gritar". Só quem já trabalhou em uma redação sabe que tem que gritar mesmo para conseguir o que quer. Dessa forma o jornalista começa a conversar com fulano, ciclano, e pergunta se conhece beltrano, que faz determinada coisa que vai ser abordado na reportagem.

   Então imaginem. Em uma redação trabalham, na maioria delas, pessoas que já moraram em várias cidades, que tem uma família grande, ou muito louca, tem vários amigos, enfim, conhecem muita gente neste mundão a fora.

   Quando passamos pela assessoria e não conseguimos personagem, passamos pela redação e também não conseguimos, partimos então para o Plano C, que é ligar para pai, mãe, irmãos, colegas de igreja, de faculdade, tudo isso para conseguir um personagem. Pelo menos eu já fiz isso.

   Agora vou contar a batalha que enfrentei para conseguir um personagem. Num certo dia recebi uma pauta sobre o IPI reduzido para veículos 0 km. Fui orientado que eu precisava encontrar uma pessoa que tinha comprado um veículo antes da redução do imposto e que ao ficar sabendo da decisão do governo, desistiu da compra para comprar o veículo novamente, só para pagar mais barato.

   Na hora pensei, super fácil né. Quem vê pensa que as concessionárias autorizam o cancelamento de uma nota fiscal no valor de um carro. Primeiro, consegui uma concessionária para conseguir gravarmos a matéria,  depois pedi entrevista com o gerente, e assim que falei com o gerente, pedi um personagem. E lógico, não encontrei. Então lembrei que uma amiga da minha mãe era vendedora em outra concessionária, quando liguei, descobri que ela estava de férias, implorei no telefone mesmo com o outro vendedor que me atendeu.

   As horas foram passando, e às 17h50, um vendedor das trezentas lojas que liguei, me retornou a ligação para falar que tinha conseguido uma mulher que se encaixava perfeitamente no perfil que eu precisava para a reportagem.

  Enfim pude respirar aliviado, afinal, estagiário tem que fazer tudo certinho né.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os bastidores da notícia 2

Por Guilherme Vila Real

   Na semana passada contei como os factuais acontecem e como estas notícias chegam até as redações. Hoje vou contar um pouquinho de como fazemos quando não temos acidentes, tempestades, entre outras tragédias para divulgarmos.

   Lembrando que eu sempre uso como referência a TV onde faço estágio. Diariamente, às 13h, é realizada a tão temida reunião de pauta. Eu digo temida, pois é nela que discutimos como foi o andamento dos telejornais transmitido até este horário e também sugerimos pautas/reportagens.

   Depois desta etapa começamos a montar a capa de pauta do dia seguinte. A capa de pauta é o roteiro de todas as reportagens que serão gravadas. Nela são dividas as equipes (repórteres e cinegrafistas), os horários de entrada, intervalo e saída e quais produtores vão produzir as pautas.

   A maioria das pautas produzidas, que serão gravadas no outro dia, são frias, ou seja, podem ser usadas na segunda, na terça, quarta... Um exemplo clássico que aprendi na faculdade é: "Vamos fazer uma matéria sobre como plantar e cuidar de uma orquídea". Neste caso a reportagem pode ser exibida em qualquer dia. Vale deixar bem claro que por ela não ter um dia exato para ser exibida, não significa que a reportagem não tenha importância ou não seja de interesse público.

   As matérias frias, que eu julgo as mais importantes, surgem de duas formas. Uma delas é por meio dos releases que recebemos a todo instante das assessorias de imprensa, e a outra é pela pesquisas em sites oficiais e de notícias, feitas pelos próprios produtores.

   Mas para sugerirmos uma pauta, precisamos antes pesquisar mais sobre o assunto e conferir se "aquilo" existe na nossa cidade ou região e se de uma certa forma vai influenciar na vida dos nossos telespectadores. Temos que fazer isso para conseguirmos "vender" a pauta.

   Não é uma tarefa fácil. Por isso o produtor precisa ter bons argumentos e dados em mãos, para conseguir provar a importância de se fazer aquela reportagem. Com relação aos releases o produtor sempre precisa encontrar um novo gancho para a matéria, ou seja, buscar um caminho diferente daquele descrito no release.

   Definidas então as reportagens que serão produzidas para o dia seguinte, cabe ao produtor encontrar os personagens, que são os entrevistados que vão ilustrar, ou melhor dizendo, que vão provar para o telespectador em casa que aquela situação mostrada na reportagem realmente existe. E é sobre esta batalha dos produtores para encontrar personagens/entrevistados que vou falar na semana que vem.