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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Os bastidores da notícia 3

Por Guilherme Vila Real

   Muitas pessoas, ou jornalisticamente falando, telespectadores, me perguntam como nós, produtores, encontramos personagens que se encaixam perfeitamente nas reportagens exibidas na TV. Já adianto, não é uma tarefa fácil.

   Existem várias formas de se encontrar um personagem para determinada matéria. Porém, como uma sugestão de pauta surge, às vezes, de um release enviado por uma assessoria de imprensa, o personagem também surge dessa maneira.

   Mas esta não é a única forma. Quando um produtor recebe uma pauta a primeira coisa que um jornalista dá uma olhada é a agenda telefônica. Caso ele não encontre o que estava procurando, então chega a hora de "gritar". Só quem já trabalhou em uma redação sabe que tem que gritar mesmo para conseguir o que quer. Dessa forma o jornalista começa a conversar com fulano, ciclano, e pergunta se conhece beltrano, que faz determinada coisa que vai ser abordado na reportagem.

   Então imaginem. Em uma redação trabalham, na maioria delas, pessoas que já moraram em várias cidades, que tem uma família grande, ou muito louca, tem vários amigos, enfim, conhecem muita gente neste mundão a fora.

   Quando passamos pela assessoria e não conseguimos personagem, passamos pela redação e também não conseguimos, partimos então para o Plano C, que é ligar para pai, mãe, irmãos, colegas de igreja, de faculdade, tudo isso para conseguir um personagem. Pelo menos eu já fiz isso.

   Agora vou contar a batalha que enfrentei para conseguir um personagem. Num certo dia recebi uma pauta sobre o IPI reduzido para veículos 0 km. Fui orientado que eu precisava encontrar uma pessoa que tinha comprado um veículo antes da redução do imposto e que ao ficar sabendo da decisão do governo, desistiu da compra para comprar o veículo novamente, só para pagar mais barato.

   Na hora pensei, super fácil né. Quem vê pensa que as concessionárias autorizam o cancelamento de uma nota fiscal no valor de um carro. Primeiro, consegui uma concessionária para conseguir gravarmos a matéria,  depois pedi entrevista com o gerente, e assim que falei com o gerente, pedi um personagem. E lógico, não encontrei. Então lembrei que uma amiga da minha mãe era vendedora em outra concessionária, quando liguei, descobri que ela estava de férias, implorei no telefone mesmo com o outro vendedor que me atendeu.

   As horas foram passando, e às 17h50, um vendedor das trezentas lojas que liguei, me retornou a ligação para falar que tinha conseguido uma mulher que se encaixava perfeitamente no perfil que eu precisava para a reportagem.

  Enfim pude respirar aliviado, afinal, estagiário tem que fazer tudo certinho né.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os bastidores da notícia 2

Por Guilherme Vila Real

   Na semana passada contei como os factuais acontecem e como estas notícias chegam até as redações. Hoje vou contar um pouquinho de como fazemos quando não temos acidentes, tempestades, entre outras tragédias para divulgarmos.

   Lembrando que eu sempre uso como referência a TV onde faço estágio. Diariamente, às 13h, é realizada a tão temida reunião de pauta. Eu digo temida, pois é nela que discutimos como foi o andamento dos telejornais transmitido até este horário e também sugerimos pautas/reportagens.

   Depois desta etapa começamos a montar a capa de pauta do dia seguinte. A capa de pauta é o roteiro de todas as reportagens que serão gravadas. Nela são dividas as equipes (repórteres e cinegrafistas), os horários de entrada, intervalo e saída e quais produtores vão produzir as pautas.

   A maioria das pautas produzidas, que serão gravadas no outro dia, são frias, ou seja, podem ser usadas na segunda, na terça, quarta... Um exemplo clássico que aprendi na faculdade é: "Vamos fazer uma matéria sobre como plantar e cuidar de uma orquídea". Neste caso a reportagem pode ser exibida em qualquer dia. Vale deixar bem claro que por ela não ter um dia exato para ser exibida, não significa que a reportagem não tenha importância ou não seja de interesse público.

   As matérias frias, que eu julgo as mais importantes, surgem de duas formas. Uma delas é por meio dos releases que recebemos a todo instante das assessorias de imprensa, e a outra é pela pesquisas em sites oficiais e de notícias, feitas pelos próprios produtores.

   Mas para sugerirmos uma pauta, precisamos antes pesquisar mais sobre o assunto e conferir se "aquilo" existe na nossa cidade ou região e se de uma certa forma vai influenciar na vida dos nossos telespectadores. Temos que fazer isso para conseguirmos "vender" a pauta.

   Não é uma tarefa fácil. Por isso o produtor precisa ter bons argumentos e dados em mãos, para conseguir provar a importância de se fazer aquela reportagem. Com relação aos releases o produtor sempre precisa encontrar um novo gancho para a matéria, ou seja, buscar um caminho diferente daquele descrito no release.

   Definidas então as reportagens que serão produzidas para o dia seguinte, cabe ao produtor encontrar os personagens, que são os entrevistados que vão ilustrar, ou melhor dizendo, que vão provar para o telespectador em casa que aquela situação mostrada na reportagem realmente existe. E é sobre esta batalha dos produtores para encontrar personagens/entrevistados que vou falar na semana que vem.