Por Guilherme Vila Real
Como eu disse em um post na semana, antes de eu estagiar na TV, passei pelo Rádio. Lá realmente foi uma escola. Aprendi muita coisa relacionada a carreira de jornalista.
O processo seletivo para este estágio não foi tão "sofrido" como o que contei aqui recentemente. Mas ainda é um mistério para mim. Lembro que eu estava passando por uma dificuldade muito grande em um antigo serviço, onde fui até acusado de roubo pelo filho do dono da empresa. Eu só não pedia demissão por causa das contas que eu tinha para pagar.
Até então que eu recebo uma ligação da Rádio Educativa, falando que eu tinha enviado o currículo e eles queriam que eu fosse no outro dia a tarde para fazer uma entrevista. Na hora não pensei duas vezes, o SIM saiu da minha boca espontâneamente.
No dia seguinte, estava eu, lindo e fino para a entrevista. Mais uma na minha vida. Papo vai, papo vem e a chefe na época me pediu para fazer duas notas e gravá-las. Imaginem eu com essa voz "linda" que Deus me deu - reparem que coloquei linda entre "áspas" - super nervoso, tendo que me virar nos trinta literalmente, porque eu tinha meia hora para entregar tudo certinho.
Não sei se foi sorte ou benção divina, mas consegui terminar antes do tempo previsto. Simplesmente me liberaram e falaram que entravam em contato mais pra frente.
Mais uma vez, não sei se foi sorte ou benção divina, em menos de uma semana recebi a ligação falando que eu tinha passado no processo de seleção. Na hora fiquei feliz, porque eu ia me livrar daquele terrível emprego em que eu me encontrava.
Cinco minutos depois da ligação que mudou a minha vida, apareci na empresa em que estava trabalhando e pedi as minhas contas. Olha o juízo da pessoa né. Eu jurava que eu ia começar a estagiar na rádio no outro dia. Mas não. Demorou mais de um mês. Mas, para a nossa alegria, esse dia chegou.
Não podia deixar de falar que durante essa fase, o Rafael, um amigo da faculdade, também tinha conseguido uma das três vagas disponíveis na emissora. Ele ficou com o horário da manhã e eu com o da tarde. Adorei, pois eu podia acordar mais tarde. Já ele sofria com as frias manhãs na companhia de Toledo cantando. Sabe o que eu acho né. Brincadeira.
No começo eu fazia apenas notas. Não me lembro ao certo quanto tempo demorou, mas rapidamente comecei a produzir minhas próprias matérias. Meu orgulho ia lá em cima e eu já me achava o jornalista. Coitado de mim, mal sabia o que estava por vir. Cada dia que passava, mais dificuldades eu encontrava. Porém cada uma que eu vencia, servia de aprendizado.
O tempo foi passando e não é que eu fui ficando craque no assunto. Até que chegou um dia que eu dei orgulho nos meus professores da rádio, Elaine Datti e Renato Rack. Consegui fazer duas matérias em um dia só. Parece pouco né. Mas antes eu fazia uma reportagem a cada dois dias. E assim foi, cada dia melhorando mais, ousando mais, e lógico, apanhando mais.
Infelizmente as pessoas da emissora, por motivos burocráticos, tiveram que se afastar. Cada dia era um que ia embora, até que, por incrível que pareça, sobrou apenas eu e Renato Rack. Olha que chique e que honra ao mesmo tempo. O jornal de notícias que tinha diariamente, começou a ser apresentado por Renato e as reportagens eram todas na minha voz. Este foi o nosso momento mais difícil. O estresse tomou conta da gente, mas em nenhum momento deixamos a peteca cair. Infelizmente, o dia da ida de Renato, meu maior companheiro que tive até hoje no jornalismo, chegou. Resultado, sobrou apenas eu na rádio. Quer dizer, sobrou também a Daniela, pessoa maravilhosa também.
A rádio parou. Tinha apenas músicas e algumas notinhas feitas pelo melhor estagiário. Também só tinha eu né. Aos poucos novas pessoas começaram a aparecer e tudo foi voltando ao normal. Fiquei lá por cerca de 10 meses e atingi a marca de 100 reportagens. Olha que orgulho. Confesso que algumas matérias não foram tão boas. Mas nem tudo na vida é flores.
Enfim. Adorei voltar no tempo hoje. Relembrar quando eu comecei minha carreira jornalística, literalmente do zero. Foi maravilhoso. Hoje vejo o quanto eu cresci profissionalmente e também pessoalmente. O jornalismo está sendo uma escola de Vida pra mim. Tem hora que desanima, sim, isso é verdade. Mas o meu sonho de ser jornalista é bem maior do que qualquer coisa.
E a mensagem de hoje é: "Passei por vários momentos difícieis, achei que não ia aprender nunca, mas tudo é falta de prática. Quando você começa a praticar aquilo diariamente, pode ter certeza, você vai ficar craque no assunto. É até bom passar por certas dificuldades, pois são nelas que nós mais aprendemos". Uma dica: "Não desista nunca".
Um dia quero sentar com meus colegas de faculdades, todos trabalhando e arrasando na área, e poder voltar no tempo, como eu fiz hoje.

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