Por Guilherme Vila RealMuitas pessoas, ou jornalisticamente falando, telespectadores, me perguntam como nós, produtores, encontramos personagens que se encaixam perfeitamente nas reportagens exibidas na TV. Já adianto, não é uma tarefa fácil.
Existem várias formas de se encontrar um personagem para determinada matéria. Porém, como uma sugestão de pauta surge, às vezes, de um release enviado por uma assessoria de imprensa, o personagem também surge dessa maneira.
Mas esta não é a única forma. Quando um produtor recebe uma pauta a primeira coisa que um jornalista dá uma olhada é a agenda telefônica. Caso ele não encontre o que estava procurando, então chega a hora de "gritar". Só quem já trabalhou em uma redação sabe que tem que gritar mesmo para conseguir o que quer. Dessa forma o jornalista começa a conversar com fulano, ciclano, e pergunta se conhece beltrano, que faz determinada coisa que vai ser abordado na reportagem.
Então imaginem. Em uma redação trabalham, na maioria delas, pessoas que já moraram em várias cidades, que tem uma família grande, ou muito louca, tem vários amigos, enfim, conhecem muita gente neste mundão a fora.
Quando passamos pela assessoria e não conseguimos personagem, passamos pela redação e também não conseguimos, partimos então para o Plano C, que é ligar para pai, mãe, irmãos, colegas de igreja, de faculdade, tudo isso para conseguir um personagem. Pelo menos eu já fiz isso.
Agora vou contar a batalha que enfrentei para conseguir um personagem. Num certo dia recebi uma pauta sobre o IPI reduzido para veículos 0 km. Fui orientado que eu precisava encontrar uma pessoa que tinha comprado um veículo antes da redução do imposto e que ao ficar sabendo da decisão do governo, desistiu da compra para comprar o veículo novamente, só para pagar mais barato.
Na hora pensei, super fácil né. Quem vê pensa que as concessionárias autorizam o cancelamento de uma nota fiscal no valor de um carro. Primeiro, consegui uma concessionária para conseguir gravarmos a matéria, depois pedi entrevista com o gerente, e assim que falei com o gerente, pedi um personagem. E lógico, não encontrei. Então lembrei que uma amiga da minha mãe era vendedora em outra concessionária, quando liguei, descobri que ela estava de férias, implorei no telefone mesmo com o outro vendedor que me atendeu.
As horas foram passando, e às 17h50, um vendedor das trezentas lojas que liguei, me retornou a ligação para falar que tinha conseguido uma mulher que se encaixava perfeitamente no perfil que eu precisava para a reportagem.
Enfim pude respirar aliviado, afinal, estagiário tem que fazer tudo certinho né.
Nenhum comentário:
Postar um comentário